Imaginário das ciências, tecno-imaginários, pensamento complexo. Doutorado USP / Grenoble Alpes. Pesquisadora associada ao centro Figura (UQÀM, 2022-2023).
Professora
Mais de 10 anos de ensino. Docente na USP (Celacc). Orientação de 33 monografias. Banca de 45 monografias.
Designer pedagógica
Abordagens pedagógicas inovadoras para públicos variados. Fundamentação teórica em educação e tecnopedagogia.
Mediadora científica
Oficinas de divulgação científica para crianças e jovens. Orientação na Expo-sciences (Les Scientifines, Montreal).
Direção
Geist Corp
Grupo de estudos sobre os imaginários da tecnologia. O Geist reúne pesquisadores e praticantes em torno das maneiras como as sociedades contemporâneas pensam, narram e encenam a técnica — entre ciência, ficção, cultura popular e práticas artísticas.
La fiction, boussole de la science ? L'imaginaire du Novacène chez James Lovelock
Juliana Michelli S. Oliveira
In: Imaginários tecnocientíficos, vol. III, seção Horizontes imaginados: trânsitos entre a ciência e a ficção, organização de Juliana Michelli S. Oliveira, Almeida, R. e Chassay, J.-F.. São Paulo: FEUSP, 2024.
Além da imaginação: uma introdução ao imaginário das superinteligências artificiais no Novaceno
Juliana Michelli S. Oliveira
In: O mito do Fim do Mundo: Imaginário & Educação, organização de Alberto Filipe Araújo, Rogério de Almeida e Marcos Beccari. São Paulo: FEUSP, 2023. (Coleção Mitos da Pós-Modernidade, vol. 4).
L'enracinement biologique des images : une étude des perspectives de Durand et Lakoff-Johnson
Juliana Michelli S. Oliveira et al.
In: Imaginaire et neurosciences — Héritages et actualisations de l'œuvre de Gilbert Durand, organização de Jean-Jacques Wunenburger. Paris: Hermann, 2022.
Com o que sonham os androides? Ensaio sobre tecno-imaginários contemporâneos
Juliana Michelli S. Oliveira
In: Imaginários intempestivos: arquitetura, design, arte & educação, organização de Artur Rozestraten, Marcos Beccari e Rogério de Almeida. São Paulo: FEUSP, 2019.
As informações sobre o grupo de pesquisa serão adicionadas em breve.
Ai_Monguetá
Plataforma colaborativa de criação de personagens digitais com IA generativa, ancorada na educação pública brasileira.
Financiamento
Fundação Itaú — edital IA para Educação
Parceria técnica
InBot
Período
Dezembro de 2024 — fevereiro de 2026
Público
Professores e alunos da escola pública brasileira
Objetivo
Desenvolver uma plataforma colaborativa que permita a professores e estudantes criar, personalizar e dialogar com personagens educativos e culturais inspirados em figuras brasileiras — mobilizando a IA generativa para fazer da escola não uma consumidora passiva de tecnologias, mas uma participante ativa em sua compreensão, alimentação e experimentação.
Origem do nome
O termo Ai_Monguetá é tomado de empréstimo à Língua Geral, língua híbrida formada no período colonial a partir do tupi antigo e que serviu por muito tempo como meio de comunicação entre populações indígenas, colonizadores e africanos escravizados. Em seu sentido mais geral, ai-monguetá pode ser traduzido como "falar"1. A palavra monguetá remete também, no guarani contemporâneo, à ideia de "conversar", e assume no vocabulário Mbyá-Guarani um sentido mais profundo: "inspirar" ou "fazer circular a palavra"2, valorizando a oralidade como vetor de transmissão e de vínculo social.
Com uma leitura contemporânea e um toque de licença poética, o vocábulo evoca também o universo das inteligências artificiais — as IAs, ou AIs conforme a sigla em inglês. O nome carrega, portanto, um duplo olhar: um voltado para as raízes linguísticas e culturais brasileiras, e outro para as transformações que emergem do encontro entre formas humanas e digitais de comunicação.
1 A. Gonçalves Dias, Dicionário da Língua Tupy, chamada Língua Geral dos Indígenas do Brasil, Lipsia, F.A. Brockhaus, 1858, p. 457. 2Revista do Museu Paulista, n. S, vol. IV, São Paulo, 1950, p. 245.
Abordagem pedagógica
O projeto se apoiou em quatro diretrizes: valorização da cultura brasileira; introdução crítica aos modelos de linguagem e aos agentes conversacionais; personalização dos personagens conforme os currículos e os interesses de cada turma; e letramento digital entendido como relação reflexiva, ética e criativa com a IA. Foram produzidos cinco módulos formativos (IA, agentes conversacionais, escolha do personagem, pesquisa e contornos, personalidade do agente), cada um declinado em vídeo, texto e plano de aula. Uma ficha de conhecimento em oito eixos (identidade, contexto histórico e social, produção intelectual e artística, influências, imaginário e representações, polêmicas, relação com a técnica, ajuste de perfil) estruturou o trabalho de pesquisa dos estudantes e a fabricação dos personagens.
Concepção e produção dos conteúdos
Juliana assinou todos os conteúdos pedagógicos do projeto — redação dos textos, elaboração dos planos de aula e concepção dos vídeos formativos, do storytelling à animação e à produção. Esses materiais foram pensados como ferramentas prontas para uso, acessíveis a docentes iniciantes em inteligência artificial.
Arquitetura técnica
A plataforma integra uma interface web com área pública e área protegida, perfis diferenciados (administração, coordenação pedagógica, professor·a, aluno·a, visitante), um motor conversacional híbrido combinando a tecnologia não generativa da InBot com modelos generativos, um banco colaborativo de personagens, um módulo de configuração, ferramentas de análise e um sistema RAG para alimentar os agentes com conteúdos específicos.
Personagens criados
Foram desenvolvidos oito agentes conversacionais: seis pelos professores participantes — Paulina, Candido Portinari, Chico Mendes, Enedina Alves Marques, Maria Firmina dos Reis e Paulo Freire — e dois personagens-modelo produzidos pela equipe Ai_Monguetá com fins demonstrativos e formativos: Machado de Assis e Miro. O conjunto dá visibilidade a trajetórias muitas vezes pouco difundidas no ambiente escolar e digital.
O caso Paulina
Personagem emblemática do projeto, Paulina foi criada em parceria com o professor Romulo Paulino e seus estudantes da Escola Amorim Lima. Pensada como uma professora de escola pública inspirada nos princípios freireanos e articulada às práticas antirracistas e comunitárias da escola, foi apresentada ao público durante a Festa Kizomba, em novembro de 2025 — ocasião em que a comunidade escolar pôde interagir com ela por texto e por voz.
Aplicações em Montreal
O projeto teve duas aplicações montrealenses, que permitiram transpor a abordagem para o contexto quebequense:
Personagem Germaine Guèvremont — criação de um agente conversacional inspirado na escritora quebequense, em continuidade ao trabalho realizado no Brasil sobre figuras literárias e culturais.
Assistente virtual de apoio aos deveres de casa — desenvolvimento de um personagem pensado como acompanhante de estudo para os jovens, concebido não para fornecer respostas, mas para estimular a reflexão: fazer perguntas, levar à formulação de hipóteses, encorajar a verbalização do raciocínio.
Impacto e perspectivas
Para além da produção de uma plataforma e de agentes, o projeto constituiu um verdadeiro terreno de experimentação pedagógica articulando desenvolvimento tecnológico, formação docente e valorização cultural. Mostrou que a integração entre IA, cultura e educação depende não só de uma boa ferramenta, mas também do tempo pedagógico, da escuta, da mediação docente e de uma abertura institucional para experimentações. Os desafios identificados — infraestrutura, pressão avaliativa, heterogeneidade dos letramentos digitais, escassez de fontes sobre algumas figuras — alimentam as perspectivas de continuidade: aprofundamento da formação, acompanhamento mais próximo, ampliação do repertório de personagens, fortalecimento dos espaços públicos de circulação das experiências entre escolas.
Akpalô Pernambuco — Arte, Cultura, História e Geografia
Livro didático para o 4º e o 5º anos do Ensino Fundamental, aprovado pelo PNLD 2016 — Programa Nacional do Livro e do Material Didático do governo brasileiro.
Programa
PNLD 2016
Edição
2014 — 2015
Autores
Bruno Prado e Tércio Rigolin
Editora
Editora do Brasil
Minha atuação
Responsável pela edição da obra e pela coordenação do trabalho editorial. A prestação de serviço editorial foi realizada pela Oba Editorial, onde Juliana trabalhava na época, para a Editora do Brasil.
Distribuição
Aprovado pelo PNLD, o livro foi distribuído nas escolas públicas brasileiras em 2016 — Livro Regional de Pernambuco, destinado aos alunos do 4º e 5º anos do Ensino Fundamental (Anos Iniciais).
Avaliação oficial (Guia PNLD 2016)
O Ministério da Educação avaliou a obra como uma abordagem integrada dos componentes de História, Geografia e aspectos de Arte e Cultura do estado de Pernambuco, ancorada em uma perspectiva socioconstrutivista e sociocrítica, com projeto gráfico-editorial compatível com as necessidades de aprendizagem dos alunos dos anos iniciais do Ensino Fundamental.
Estimular o despertar científico de crianças e jovens, em especial das meninas, em uma perspectiva de igualdade de gênero nas carreiras científicas.
Oficinas presenciais
Animação de oficinas de divulgação científica em diversas escolas de Montreal:
Les enfants du mondeSt. MonicaParkdaleSaint Noël ChabanelÉcole Petite BourgogneLambert ClosseNotre-Dame-de-Lourdes
Também em bibliotecas e centros comunitários da região metropolitana de Montreal.
Oficinas à distância
Animação de oficinas online no âmbito do projeto En avant math!
Les Scientifines, Montreal · 2024 – presente
Orientação na Expo-sciences Hydro-Québec
Orientação de projetos de estudantes nas categorias júnior e adolescente da Expo-sciences Hydro-Québec, no âmbito da Les Scientifines.
Premiações
Dois projetos premiados com o Prix Prestige, sendo um deles finalista entre mais de 150 projetos na Super Expo-sciences du Québec.
Sobre
Trajetória, interesses de pesquisa e formação.
Perfil
Doutora em educação (USP / Université Grenoble Alpes), Juliana Michelli S. Oliveira desenvolve uma pesquisa interdisciplinar na interseção entre ciências, humanidades e estudos do imaginário. Seus trabalhos abordam as representações culturais da ciência e da tecnologia, os tecno-imaginários e o pensamento complexo. Entre 2022 e 2023, foi pesquisadora associada ao centro Figura (UQÀM). Atualmente, é professora no Celacc — Centro de Estudos Latino-Americanos sobre Cultura e Comunicação (USP) e mediadora científica em Les Scientifines, em Montreal.
Interesses de pesquisa
Imaginário das ciênciasTecno-imagináriosPensamento complexoFicção científicaInteligências artificiaisCultura científicaAntropologia do imaginário
Formação
2019
Doutorado em educação
Universidade de São Paulo (estágio de pesquisa: Université Grenoble Alpes, França)
Equivalência MIFI: Doutorado, Didática
2016
Licenciatura em letras
Universidade de São Paulo
Equivalência MIFI: Bacharelado / Formação de professores do ensino secundário
2014
Bacharelado em letras — Letras modernas (língua francesa)
Universidade de São Paulo (intercâmbio: Université Sorbonne, Paris IV)
Equivalência MIFI: Bacharelado / Línguas e literaturas modernas
2008
Mestrado em educação
Universidade de São Paulo
Equivalência MIFI: Mestrado / Setor das ciências da educação